Em uma sessão marcada por alta voltagem política, o plenário do Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O atual advogado-geral da União e diácono da Igreja Batista Cristã de Brasília obteve apenas 34 votos favoráveis, ficando aquém dos 41 necessários para a aprovação. Com 42 votos contrários, Messias protagoniza a primeira rejeição de um indicado presidencial à Corte em mais de um século.
O Peso da Pauta Moral na Rejeição
Apesar de sua identidade religiosa, Jorge Messias enfrentou forte resistência da ala conservadora e da bancada evangélica. O ponto de ruptura foi a atuação da AGU em relação à assistolia fetal.
Senadores da oposição, liderados por nomes como Eduardo Girão (Novo), apontaram contradição entre a fé professada por Messias e os pareceres enviados ao STF que questionavam as restrições do CFM ao aborto legal.
Na tentativa de reverter o cenário durante a sabatina, o advogado classificou o procedimento como “abominável”, mas o discurso não foi suficiente para garantir os votos da direita.
Vácuo de Representatividade Evangélica
Com a negativa do Senado, o STF permanece com o ministro André Mendonça, pastor presbiteriano, como único representante do segmento evangélico.
Especialistas políticos avaliam que a indicação de Messias visava justamente equilibrar a Corte e aproximar o governo Lula do eleitorado cristão, mas a estratégia esbarrou na polarização ideológica.
Agora, a expectativa recai sobre o próximo nome a ser apresentado pelo presidente Lula, com chances reduzidas de uma nova aposta em um perfil religioso.
A rejeição de Jorge Messias altera o tabuleiro de forças em Brasília. O resultado é lido como uma demonstração de força da oposição e um recado claro sobre o rigor do Senado em relação às pautas de costumes. Enquanto o governo avalia o dano político, lideranças evangélicas comemoram o que chamam de “vitória dos valores”.
