Pouco mais de um mês após o brutal assassinato de sua esposa, o pastor evangélico Natalino do Nascimento Santiago, de 50 anos, passou a responder formalmente na Justiça por feminicídio e duas tentativas de homicídio qualificado. O crime ocorreu no dia 11 de junho, na Comunidade Campo Alegre, zona rural de Capixaba, no interior do Acre.
A denúncia foi recebida pela Vara Única Criminal da Comarca de Capixaba, e, até o momento, o acusado não constituiu advogado no processo. Natalino foi localizado e preso quatro dias após o crime, no dia 14 de junho, em uma área de mata da Reserva Legal Promissão, dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes. Ele estava foragido.
A prisão preventiva de Natalino foi decretada no dia seguinte à captura, com base em seu histórico criminal. O acusado já havia sido condenado anteriormente por homicídio cometido no bairro Palheiral, em Rio Branco, em 2011. Após progredir de regime, violou as condições impostas pela Justiça e foi considerado foragido.
Segundo o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), Natalino já possuía condenações somadas a 35 anos de prisão por esse caso, mas voltou a cumprir pena em regime fechado após a prisão em Capixaba. Se condenado pelos novos crimes, deverá receber nova sentença penal.
De acordo com o Ministério Público do Acre (MP-AC), Natalino matou a esposa, Auriscléia Lima do Nascimento, de 25 anos, com golpes de facão, e ainda feriu gravemente duas outras pessoas: o filho da vítima — que ele criava como filho — e o cunhado.
A denúncia inclui feminicídio qualificado com agravantes previstos na Lei Maria da Penha, tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e contra vítima vulnerável, além de uma tentativa de homicídio simples. O delegado Aldízio Neto, responsável pelas investigações, confirmou o indiciamento pelas duas tentativas de homicídio com base nos exames de corpo de delito e nos depoimentos colhidos.
O caso atual não é o primeiro feminicídio com o qual Natalino está vinculado. Em 2000, ele foi condenado pela morte de Silene, uma mulher estuprada e assassinada na zona rural de Senador Guiomard, sua cidade natal. Na ocasião, foi sentenciado a 27 anos de prisão — 19 pelo homicídio e 8 pelo estupro. No entanto, cumpriu apenas seis anos em regime fechado e obteve progressão por bom comportamento.
Importante destacar que, à época, o crime ainda não era classificado como feminicídio, uma tipificação que só passou a existir a partir de 2015 com a Lei nº 13.104.
