A Assembleia de Deus em Belém, presidida pelo pastor Samuel Câmara, firmou um contrato de R$ 2 milhões com o Governo do Estado do Pará para alugar o Centro de Convenções Centenário durante a COP30. O documento, assinado pela Secretaria de Turismo (SETUR), foi revelado e provocou intensa repercussão entre membros da igreja.
O Centro de Convenções, localizado na avenida Augusto Montenegro, foi construído em 2011 como parte das celebrações do centenário da Assembleia de Deus no Brasil. A obra integra o patrimônio da chamada “Igreja-Mãe” e é um dos maiores espaços fechados para eventos da Região Norte, com capacidade superior a 20 mil pessoas. A construção foi financiada com recursos próprios da denominação, segundo publicações da época.
Reação dos fiéis
Imagens do evento realizado dentro do Centro de Convenções começaram a circular nas redes sociais, compartilhadas por membros da própria igreja. As gravações mostram apresentações culturais e atividades típicas da programação da COP30, o que provocou descontentamento entre fiéis que entendem que o espaço deveria ser utilizado exclusivamente para fins religiosos.
Entre os vídeos mais compartilhados está o do pastor Marcelo Campelo, que demonstrou indignação com a decisão da liderança. Ele destacou que o Centro de Convenções foi construído com dízimos e ofertas e argumentou que os membros não foram consultados sobre a cessão do espaço para um evento internacional de natureza não religiosa.
Declaração antiga do pastor Samuel é resgatada
Em meio às críticas, voltou a circular uma matéria de 2011 em que o pastor Samuel Câmara afirmou que o Centro de Convenções “não ficaria restrito ao uso da Assembleia de Deus” e que o espaço serviria também a toda a sociedade paraense. Na ocasião, a liderança destacou que o objetivo era colaborar com o turismo e colocar Belém no mapa de grandes eventos.
A declaração ajuda a explicar a postura atual da igreja em abrir o espaço para eventos governamentais. Além da COP30, o Centro de Convenções já foi utilizado em 2020 como hospital de campanha durante a pandemia de Covid-19, também mediante contrato com o estado.
Apesar disso, parte dos membros entende que, mesmo havendo precedentes, a situação atual exige maior diálogo. Para muitos, a igreja deveria apresentar com clareza como serão usados os R$ 2 milhões pagos pela SETUR.
Até o momento, a Assembleia de Deus em Belém não emitiu nota oficial sobre a repercussão do contrato nem comentou as críticas dos fiéis. O assunto segue movimentando redes sociais e grupos internos da denominação.
