Nação contra nação: como as guerras ao longo da história cumprem as Escrituras

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De acordo com a Bíblia, “guerras, rumores de guerras e rebeliões” devem acontecer antes da segunda vinda de Cristo, conforme os textos de Mateus 24.6 e Lucas 21.9. São sinais do fim dos tempos, mas conforme o alerta de Jesus: “Ainda não é o fim”. 

Como entender este cenário se as guerras sempre aconteceram e podemos observar relatos desde o Antigo Testamento? O segredo é analisar o “texto dentro do contexto”.

Quando Jesus estava assentado no monte das Oliveiras, no primeiro século, o mundo vivia a Pax Romana — um período de “aparente” paz e prosperidade que aconteceu de 27 a.C. até 180 d.C. — com o objetivo de reforçar o poder de Roma nas províncias dominadas. O sermão de Jesus estava batendo de frente com aquela realidade, afirmando que, um dia, ela seria “desmascarada”. 

Progressão das guerras

Ainda no século I, o apóstolo João teve visões, enquanto esteve preso na Ilha de Patmos, onde quatro cavalos estavam diante dele, entre eles um vermelho que simbolizava a guerra e o derramamento de sangue. 

Segundo a visão de João, o cavaleiro do cavalo vermelho “recebeu poder para tirar a paz da terra”, além disso, ele faria com que “os homens se matassem uns aos outros”. A profecia está no livro de Apocalipse (cap. 6), então aponta para o tempo do “fim de todas as coisas”.

A questão é: quando a Pax Romana foi interrompida e quando as guerras foram iniciadas? E como podemos relacionar as guerras atuais com as profecias do fim dos tempos?

Depois de uma sequência de conflitos com outros reinos, o Império Romano deixou de existir, em setembro de 476 d.C., após cinco séculos de domínio, mas a “Pax” já não era exercida desde 180 d.C., e as guerras seguiram desde então.

Nação contra nação e reino contra reino

A rivalidade entre as nações e reinos se dá pelos mais diversos motivos: disputa por territórios e terras, diferenças étnicas, religiosas, econômicas e culturais, ideologias e até por posse de recursos como água e minérios. 

O hebraísta Luiz Sayão lembra que “nação” é uma referência aos “povos”, ou seja, às etnias. “No Brasil, por exemplo, temos mais de trezentas nações envolvendo diversas etnias indígenas e as minorias que aqui vivem”, explicou ao Guiame.

Pastor e hebraísta Luiz Sayão. (Foto: Reprodução/Youtube IBNU)

Enquanto “reino” faz referência a uma unidade política. “No contexto da época de Jesus, teve o reino do Império Romano, o reino dos Partos, entre outros. Então, a ideia [do texto profético] é que haverá guerras e rebeliões entre os povos, etnias e também entre as unidades políticas”, esclareceu.

Guerra entre EUA e Talibã: terrorismo religioso

O conflito entre os EUA (como unidade política) e o Talibã começou após o dia 11 de setembro de 2001, depois de uma série de ataques que mataram mais de 3 mil pessoas, nos Estados Unidos. 

De certa forma, pode-se classificar o ocorrido como uma guerra de “reino contra reino, já que a Sharia (lei islâmica) é uma proposta de reino”, conforme explica Sayão. 

Na época, o Talibã detinha o controle sobre o Afeganistão e tinha alianças com grupos terroristas, como o Al-Qaeda. Mas, apoiados por aliados próximos, os EUA invadiram as terras afegãs para remover os talibãs do poder, com o apoio da OTAN, que assumiu o comando da Força Internacional de Assistência à Segurança, em 2003. 

Muitos terroristas, porém, não foram capturados, fugindo para o Paquistão ou se retirando para regiões montanhosas rurais ou remotas. Após 20 anos de ocupação, os EUA deixaram o Afeganistão, dando fim a uma guerra entre “dois reinos” poderosos. 

Ao ocupar o palácio presidencial do Afeganistão, em 15 de agosto, os talibãs afirmaram “nós ganhamos a guerra, os EUA perderam”. No dia 31 de agosto, data limite para retirada de americanos e afegãos do país, o porta-voz do Talibã também provocou: “A derrota dos EUA é uma grande lição para outros invasores e para nossas gerações futuras”. 

Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021. (Foto: Zabi Karimi/AP)

Por enquanto, a conclusão é que a Sharia (lei islâmica) será a base de um “reino” que não admite a democracia, não tolera nenhuma outra religião e promete “matar quem não abandonar a cultura ocidental”. 

Especialistas alertam que, nos próximos meses, “o mundo poderá ver as punições mais brutais e uma violência prolongada cada vez mais mortal” impostas sob a interpretação do Talibã sobre a lei Sharia.

Vale lembrar que, em 2016, o Talibã foi considerado pela Forbes, o quinto mais rico entre dez organizações consideradas terroristas, com faturamento de 400 milhões de dólares. O grupo quadruplicou em cinco anos seu patrimônio através de atividades ilícitas (tráfico de drogas, extorsão e cobrança de impostos), conforme o G1. 

Guerras históricas

A história humana é marcada por conflitos, e raríssimos foram os anos nos quais nenhuma guerra aconteceu no planeta. O século XX, por exemplo, ficou marcado por confrontos em diferentes partes do mundo, sendo que alguns deles foram extremamente traumáticos e marcantes. Entre eles, as duas Guerras Mundiais.

Recentemente, tem chamado a atenção os conflitos entre Israel e Hamas. O conflito entre israelenses e palestinos já existe há muito tempo e já foi considerado como “uma ferida aberta no coração do Oriente Médio”. 

Palestinos atravessam gás lacrimogêneo carregando uma mulher ferida na cerca da fronteira entre a Cidade de Gaza e Israel. (Foto: Getty Images)

Até hoje, o Hamas considera os israelenses invasores, não só das áreas consideradas ocupações ilegais, mas de todo o território, e defende a destruição total de Israel.

Guerra Santa

A “guerra santa” é um recurso extremista que as grandes religiões monoteístas têm usado ao longo da história para proteger o que consideram ameaça aos seus dogmas e a seus lugares sagrados. 

Na origem das primeiras guerras santas, já travadas na história, estão o Islamismo e o Cristianismo. Porém, segundo o pastor Luiz Sayão, “não existe no Novo Testamento nenhum espaço para a Guerra Santa”. 

“Uma guerra por motivos religiosos que promove matança em nome de Deus não pode ser considerada uma guerra justa e não tem fundamento teológico e bíblico”, comentou.

Sabendo que, muitas “guerras santas” atuais, como a Jihad — luta armada contra os infiéis e inimigos do Islã — tem matado cruelmente milhares de cristãos pelo mundo, qual deveria ser a postura dos seguidores de Cristo?

Sayão lembra que a Igreja Primitiva sempre reagiu à violência com a postura de “não resistência e oração”. Porém, também cita o caso de Paulo, que recorreu aos recursos jurídicos para benefício do Evangelho e para proteger a própria vida.

“As cruzes e Bíblias não devem se transformar em armas para atingir os outros, mas os cristãos podem tomar atitudes para defender-se dos perseguidores, sempre que possível”, resume Sayão em seu podcast na Rádio Trans Mundial. 

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