Canal infantil de TV lança ‘desafio’ para contratar jovens atores transgêneros

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A emissora infantil Nickelodeon se uniu a uma atriz que há 20 anos “se tornou homem” para lançar o “Desafio de Atuação Juvenil Trans”, uma iniciativa projetada para permitir que jovens transgêneros ou não binários com sonhos de atuar “realizem seus sonhos”.

Michael D. Cohen, que interpreta o personagem Schwoz na sitcom live-action da Nickelodeon “Henry Danger” e seu subproduto “Danger Force”, anunciou o “desafio de atuação juvenil trans” em uma breve live vídeo do Facebook na última terça-feira.

“Em 2019 compartilhei minha história com a revista Time, que fiz a transição. E desde então, tenho recebido muitas mensagens diretas [Instagram] e e-mails de crianças trans que, como eu, quando eu era criança, sonhavam em se tornar um ator”, disse Cohen.

“Então, procurei a Nickelodeon e disse que realmente queria ajudar a tornar possível para essas crianças realizarem seus sonhos. Juntos, estamos formando uma parceria para criar o Desafio Michael D. Cohen de Atuação Juvenil Trans”.

O desafio convida os pais de jovens transgêneros ou não binários que vivem nos Estados Unidos ou Canadá para ajudá-los a gravar um vídeo de audição. Todos que enviarem o material serão convidados a participar de um webinário com Cohen e a equipe de elenco da Nickelodeon. Além disso, 12 dos participantes serão convidados a participar de uma “aula magistral de atuação Zoom” com Cohen.

“Estou tão animado para ver essas audições. Este é um sonho que se tornou realidade para mim”, observou Cohen.

Histórico

Falando para a Time Magazine em 2019, Cohen reconheceu publicamente que nasceu mulher e se transformou em homem há quase 20 anos: “Eu fui designado com o gênero errado no nascimento. Eu me identifico como homem e estou orgulhoso de ter tido uma experiência transgênero, uma jornada transgênero”

“Pela minha experiência, nasci homem. O que meu corpo dizia sobre isso era irrelevante. Não importa o quanto eu tentasse, não estava em negociação. Acredite em mim, teria sido muito conveniente se eu fosse realmente uma mulher”, acrescentou.

Cohen rejeitou a ideia de que a inclusão de histórias LGBT na programação infantil é “empurrar uma agenda para as crianças”. Em vez disso, argumentou que “o que isso faz é enviar uma mensagem às crianças de que quem quer que sejam, independentemente de como se identifiquem, isso é celebrado e está tudo bem”.

“Acho que amei tanto atuar que não queria atuar como mulher”, disse Cohen. Natural do Canadá, Cohen desempenhou papéis femininos até 2000.

Preocupações

Nos últimos anos, a Nickelodeon, como muitas outras redes de televisão, tem trabalhado para incorporar personagens LGBT em seus programas. Em 2016, um episódio da série de desenhos animados “The Loud House” apresentou um casal homossexual. A rede infantil já enfrentou críticas mais de uma década antes, depois que um de seus personagens de desenhos animados mais notáveis, o Bob Esponja, foi apresentado em um videoclipe no qual personagens de animação populares cantavam a música do grupo popular entre o público LGBT, Sister Sledge de 1979, “We are Family”.

Funcionários de organizações socialmente conservadoras, como a ‘Focus on the Family’ e a ‘American Family Association’ observaram que a Fundação ‘We Are Family’, que lançou o vídeo como parte de um suposto esforço para “promover uma maior compreensão das diferenças culturais”, expressou o desejo de redefinir o conceito de “família” para incluir casais homossexuais criando filhos. Na época, a ideia de casamento entre pessoas do mesmo sexo era impopular nos EUA e muitos estados votaram a favor de emendas constitucionais que baniriam essas uniões.

O anúncio do Desafio de Atuaçãoi Juvenil Trans surgiu na mesma semana em que a atriz Ellen Page, que antes havia se revelado lésbica, declarou que é “transgênero”, preferindo ser mencionada por pronomes masculinos como “ele / eles” e queria ser chamada de Elliot.

Três semanas antes do lançamento do desafio pela Nickelodeon, a HBO Max lançou um documentário chamado “Transhood”, que levantou preocupações de que muitos pais estão influenciando seus filhos a se tornarem transexuais.

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