Padre ataca Ana Paula Valadão após afirmação sobre AIDS: ‘Burra e preconceituosa’

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A declaração de Ana Paula Valadão sobre a alta incidência de soropositivos entre homossexuais virou oportunidade para um conhecido padre ataca-la, chamando-a de “burra” e “preconceituosa”.

O padre Juarez de Castro afirmou que Ana Paula Valadão demonstrou “burrice e preconceito” por afirmar que “a Bíblia chama de qualquer opção contrária ao que Deus determinou, de pecado, e o pecado tem uma consequência que é a morte”. A pastora também declarou que a AIDS está “aí para mostrar que a união sexual entre dois homens causa uma enfermidade que leva à morte e contamina as mulheres”.

Para o sacerdote católico, a pastora e cantora gospel “provou que não entendeu a Bíblia, não entendeu o que é a misericórdia”: “Interessante é que o diabo usa a Palavra de Deus, ele tenta Jesus com a Palavra de Deus. Ela pode ser usada de qualquer maneira. E se você tiver o coração inundado de amor você vai usar para o bem. Quando não tem o coração inundado de amor, acontece o que essa mulher fez”, disse o padre Juarez de Castro ao portal Notícias da TV.

Na última segunda-feira, 14 de setembro, o padre comentou a fala de Ana Paula Valadão a partir da pergunta de um telespectador enviada a seu programa na Rede Vida. “Sou homossexual e católico. Sou proibido de frequentar a igreja e comungar?”. Enquanto respondia seu fiel, o padre atacou a líder do Ministério Diante do Trono.

“Uma pastora falou que a Aids que está relacionada ao fato de existirem homossexuais. Você acredita nisso? Que nós escutamos uma pessoa falar sobre isso, uma pessoa que se diz líder religiosa falar que a Aids é culpa dos homossexuais? Isso é burrice misturada com preconceito”, afirmou o padre.

“Burra, sim, porque basta ler qualquer pesquisa científica e vai ver que não existe nenhuma relação da homossexualidade com a AIDS. E preconceituosa afastando as pessoas e levando a considerar o outro como se fosse doente ou pecadores. Preconceito, talvez seja essa a doença que precisamos combater, porque o preconceito é uma doença mais feia, mais horrível do que a própria AIDS”, acrescentou.

Um estudo assinado por 26 pesquisadores e publicado pelo Ministério da Saúde em 2018, chamado “HIV Prevalence among men who have sex with men in Brazil”, trouxe dados que atualizaram um estudo anterior, de 2009, mostrando o índice de HIV que entre homens que fazem sexo com outros homens é 18,4% no país.

O mesmo estudo indicou que essa taxa de infecção entre a população em geral é de apenas 0,4%, o que torna a presença do HIV muito maior proporcionalmente entre os homossexuais: “Apesar de a evidência global indicar uma redução de casos de Aids em muitos países, a epidemia do vírus entre homens que fazem sexo com homens parece estar aumentando, em países de renda baixa, média e alta”, pontua o relatório.

Excesso

Depois da repercussão, o padre admitiu que se excedeu nas críticas por ter ficado indignado com a declaração da cantora e pastora: “O que ela falou é um absurdo e totalmente desprovido de caridade, misericórdia e é um erro enorme. Hoje, depois de tanto estudo, aprofundamento, associar qualquer tipo de pensamento de que a AIDS tenha a ver com a homossexualidade… Não estou falando nenhuma novidade, qualquer pessoa que aprofunda um pouco, que estuda, sabe que é um erro fazer essa associação. Não existe um grupo de risco, existem comportamentos de risco”, disse.

“Quando você lê a palavra de Deus e aprofunda na Bíblia com honestidade, você vê que o único caminho de entender o que Jesus pede é o amor. Você não pode usar o seus status, ministério, para colocar mais uma culpa nas pessoas. Chegou a hora de padres e pastores parar de apontar os erros das pessoas. É uma postura medieval. Vivemos numa era que é necessário apontar soluções, caminho, amor”, acrescentou.

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