França identifica congresso pentecostal como epicentro do coronavírus no país

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Uma igreja pentecostal foi rastreada pelas autoridades francesas como uma fonte de contaminação pelo coronavírus no começo deste mês, após a realização da Semana de Jejum e Oração.

Na França, o mapa do coronavírus aponta que as contaminações ocorreram a partir de Cotentin, no norte do país, em direção a Córsega e Guiana Francesa (território vizinho ao Brasil) depois que mais de duas mil pessoas, incluindo 300 crianças, oriundas de todas as regiões francesas e de países vizinhos como Alemanha, Bélgica e Suíça se reuniram nas celebrações dessa igreja.

O evento, realizado anualmente há 25 anos, ocorreu entre os dias 17 e 24 de fevereiro no megatemplo de 7 mil m² da Christian Open Door, que fica sediada no populoso distrito de Bourtzwiller, em Mulhouse, cidade francesa na fronteira com a Alemanha.

Segundo a emissora francesa RFI, ao menos 25 casos confirmados em Borgonha-Franco-Condado; cinco na Guina; cinco na Córsega; três nos Altos Alpes; três na Mancha e dois na Nova Aquitânia, além de um em Paris e outro no Centro-Vale do Loire estão diretamente ligados ao evento na igreja pentecostal.

O jornal Le Monde explica que os organizadores realizam o evento na época em que os católicos celebram a Quaresma. O fato de que a igreja não registra previamente os participantes é visto como uma dificuldade a mais para rastrear outros pacientes em potencial.

O pastor da igreja, Samuel Peterschmitt, e outros 20 membros de sua família estão entre os casos confirmados de coronavírus. ”Não moramos na mesma casa, mas estávamos todos, filhos e netos, na igreja durante a Semana de Jejum e Oração”, disse o médico Jonathan Peterschmitt, 33 anos, um dos seis filhos do pastor da igreja, em entrevista ao Le Monde.

Jonathan, que atua como clínico geral, está confinado com sua esposa e seus quatro filhos pequenos em sua casa no Alto Reno, uma das regiões mais afetadas pela pandemia na França. Ele mesmo entrou em contato com as autoridades de saúde pública do país para relatar que estava com sintomas da doença: “Meus sintomas eram os de um vírus sazonal clássico, mas, considerando o contexto, fiz o teste, que deu positivo [para Covid-19]”, explicou.

“Nos eventos com menos público, éramos milhares de pessoas e, nos mais assistidos, entre 2.000 a 2.500 pessoas. Por isso, ficamos no mesmo espaço por uma semana, tocando as mesmas cadeiras e superfícies, compartilhando os mesmos banheiros, e eu não me surpreenderia que uma grande proporção das pessoas presentes no encontro tenha se contaminado com o coronavírus”, declarou o médico.

Agora, a igreja Christian Open Door exibe um aviso em seu site, orientando os fiéis a respeito da suspensão das reuniões no templo: “Até 18 de março, apenas cultos por streaming”. O pastor Samuel encoraja qualquer participante do evento que tenha sintomas de febre, dificuldades respiratórias, dor de cabeça, dores no corpo, gripe ou tosse para “se manifestar”, especificando ter participado do encontro evangélico, como forma de ajudar as autoridades a obterem informações que ajudarão na contenção do vírus.

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