Mãe de santo xinga Bolsonaro e pastores evangélicos com termos chulos; MP foi acionado

0
107

Ao longo dos últimos anos, um movimento de caráter religioso e com viés político vem sustentando a pecha de que evangélicos são intolerantes com crenças de matriz africana. Um episódio registrado em Recife (PE) no último domingo, 17 de novembro, evidenciou o oposto: uma mãe de santo xingou pastores durante um ato de apoio ao ex-presidente Lula e expressou preconceito contra “a elite branca, escrota” do Brasil.

Maria Elizabeth de Oliveira, mãe de santo, discursou no Festival Lula Livre no no Pátio do Carmo, Centro de Recife, ao lado do ex-presidente e de representantes de religiões afro-brasileiras. Em certa altura, exaltando a comunidade do “povo de terreiro”, usou palavras de baixo calão ao comentar a postura conservadora das lideranças evangélicas. 

“A gente não cabe nessa caixa fundamentalista, esse baixo clero não pode tomar o nosso país de assalto e fazer, esse, um país fundamentalista. Vá se f… esses pastores que acham que a gente não tem força e não tem poder. Nós somos a maioria, somos negros, afrodescendentes e mulheres. Vá se f… a elite branca e escrota deste país”, atacou a mãe de santo.

De acordo com informações do portal Guia-me, a Ialorixá é também uma ativista cultural e coordenadora do Ponto de Cultura Coco de Umbigada, em Olinda. Ela também se valeu do vocabulário chulo para atacar o presidente da República.

“Bolsonaro vá se f…, a gente não votou, a gente não aceita esse desgoverno que acha que não somos nada. Somos mulheres do Nordeste negras e indígenas. Vá se f… ele com essas mulheres ricas e brancas que não sabem o que é luta e não sabem o que é sustentar filhos”, disparou.

Como vem fazendo desde que foi solto, Lula falou que viveu um “drama” nos 580 dias que ficou preso após ser condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, e ter a sentença confirmada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a terceira instância do Poder Judiciário brasileiro.

A fala da mãe de santo gerou uma iniciativa do pastor Jairo Lima da Silva, conhecido como Jairinho, que foi ao Ministério Público do Pernambuco fazer uma representação. “Ela fez uma colocação infeliz. Eu acredito que não representa a matriz africana, os religiosos. Eu acredito que sejam pessoas do bem. Mas, ela foi muito infeliz quando se dirigiu de forma muito agressiva no movimento que houve […] aqui em Recife”, disse o líder evangélico.

“Além de ela xingar o presidente da República, como já era esperado, ela voltou a sua ira e sua intolerância religiosa aos pastores brasileiros. Fiquei preocupado, porque ela disse que tava na hora de ‘meter o pau’, partir para a violência, e eu fiz aqui uma representação. […] Estou levando também à Polícia para que tome as [medidas] cabíveis para que ela possa se explicar. Desperta, povo de Deus, povo evangélico. Deus abençoe. A guerra está começando, irmão”, acrescentou Jairinho, que é pré-candidato à prefeitura do Recife pelo PTC.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here