Pastor diz que deixou de ser gay após receber ajuda psicológica: “Estou livre”

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O testemunho do pastor Robson Staines, 46 anos, é constantemente usado pela grande mídia para ilustrar situações descritas, pejorativamente, como “cura gay”. O assunto voltou à tona após a decisão, na última quarta-feira, 24 de abril, da ministra Cármen Lúcia, do STF, de suspender uma sentença da Justiça Federal que havia dado permissão aos psicólogos para prestar atendimento a homossexuais que buscassem ajuda profissional para entenderem suas escolhas sexuais.

Robson contou que foi abusado na infância, mas que na fase adulta, chegou a se apaixonar por outro homem.”Ele era gentil e amável. O oposto do pedófilo que abusou de mim”, contou o pastor à jornalista Anna Virginia Balloussier.

Após se converter ao Evangelho e obter ajuda psicológica, Robson se tornou cantor, pastor escritor e produtor de moda. A psicóloga que o atendeu e o ajudou a compreender sua sexualidade e seu desejo de deixar de se sentir atraído por homens foi essencial nessa mudança, disse ele à Folha de S. Paulo.

“Ela teve a sensibilidade de entender que entrei na homossexualidade não por ter nascido gay. Fui estuprado novo demais. Eu achava que era sujo para ter envolvimento com uma mulher depois que um homem tinha me tocado”, afirmou.

Em 2015, Robson decidiu entrar no debate público sobre a possibilidade de um psicólogo ter a liberdade de aceitar casos de homossexuais que o procurasse pedindo ajuda nesse sentido. Na ocasião, ele participou de uma audiência pública na Câmara dos Deputados proposta pelo pastor Marco Feliciano (à época no PSC), e afirmou que os consultórios de psicologia haviam se tornado “uma fábrica de homossexuais”.

A decisão liminar do último dia 9, publicada na última quarta (24), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a decisão da Justiça Federal no Distrito Federal que autorizava os psicólogos a receberem casos de homossexuais em busca de orientação para resolverem sua sexualidade, fosse no sentido de abandonar essa orientação, ou para reafirmar a atração por pessoas do mesmo sexo.

Essa possibilidade vem sendo alvo de uma campanha contrária na grande mídia, que usa termos como “terapia de reversão” e “cura gay”, o que termina por impor uma denotação pejorativa ao tema.

Em seu relato, o pastor Robson afirma que, até os 11 anos, “era uma criança feliz”, mas foi estuprado por um vizinho que pulou o muro do quintal após sua mãe sair para trabalhar. “Ele pôs a mão na minha boca falando para eu ficar quietinho ou me mataria. Me machucou tanto que perdi a voz”, relembrou.

Ele acredita que o trauma o levou à “prática homossexual” nos anos seguintes: ”Comecei a ficar totalmente afeminado. Isso começou a chamar a atenção das pessoas”, pontuou.

Essa experiência fez com que ele se relacionasse com outros homens até os 21 anos. “Tive vários casos, me prostituí, me travesti. Eu me achava nojento para me envolver com alguma menina”, disse, acrescentando que esse ambiente o levou ao abuso de álcool, assim como uso de roupas femininas em certas ocasiões. “Vestido e saia, só quando me prostituía”, disse.

Robson Staines não entra em detalhes, mas diz que nessa fase, chegou a ter um namorado. “E me apaixonei, sim”, contou, antes de acrescentar que pouco antes de receber ajuda, quando tinha 20 anos, tentou o suicídio tomando 40 comprimidos de Valium com cachaça.

Como sobreviveu, foi ajudado por uma igreja evangélica. “Com Deus e ajuda psicológica, estou totalmente livre da homossexualidade”, afirmou.

A ajuda psicológica foi oferecida por Marisa Lobo, que se tornou nacionalmente conhecida pela perseguição que sofreu dos conselhos de psicologia regional e nacional, mas venceu as batalhas nas instâncias superiores da Justiça.

Em entrevista à Folha, Marisa enfatizou que não se trata de “curar” gays: “O que podemos fazer é atender o sofrimento psíquico do paciente. Nós, psicólogos, temos o dever de dar ao sujeito o lugar da sua existência, sem promessas nem induções, claro”.

A psicóloga pontuou ainda que um dos resultados possíveis do atendimento é a mudança de sexualidade. Esses são os casos descritos na literatura médica como “condição egodistônica, caracterizada por um indivíduo que deseja uma orientação sexual diferente por causa de transtornos psicológicos e comportamentais associados”.

Enquanto isso, do outro lado, os opositores da possibilidade de oferta de ajuda profissional a homossexuais em crise psicológica, apontam a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe a oferta de “serviços que contribuam para qualquer tipo de discriminação contra a diversidade sexual” e “qualquer prática que prometa curar ou alterar a orientação sexual do indivíduo”.

“O psicólogo deve explicar que não há nenhuma evidência científica de que se pode mudar a orientação sexual de uma pessoa”, disse o psicólogo Klecius Borges, que alega que taxas de suicídio dobram entre homossexuais que passam por terapias, mas não esclarece se as terapias levam à essa medida drástica, ou se são casos em que a ajuda psicológica seria uma tentativa de evitar uma determinação pessoal de por fim ao sofrimento.

“São dados internacionais obtidos por entidades que atuam no atendimento à população LGBT e que têm servido de base para decisões, nos EUA, Canadá e Grã-Bretanha, contra as terapias de reversão”, acrescentou Borges.

A realidade do pastor Robson Staines, no entanto, o leva a discordar de Borges, dizendo que “muitos gays vivem na sem-vergonhice mesmo”, e que os que querem abandonar a homossexualidade, podem alcançar resultados semelhantes aos que ele conseguiu: uma esposa, quatro filhos e uma neta. Em resumo: “Um homem muito feliz, muito bem casado”.

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