Pesquisa reabre polêmica sobre existência de uma papisa na Igreja Católica

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A ideia da existência de uma pontífice mulher na história da Igreja Católica é tratada por muitos como lenda, mas uma descoberta arqueológica trouxe novos elementos à discussão e pode funcionar como uma prova da existência da figura chamada de papisa Joana.

A suposta lenda envolve o papa chamado Johanes Anglicus (ou apenas João), que liderou o Vaticano em meados durante dois anos, na segunda metade do século IX. As histórias populares dizem que durante uma procissão, a figura líder da Igreja Católica teria dado à luz uma criança, revelando sua verdadeira identidade.

Agora, uma nova pesquisa com moedas de prata antigas voltaram a reacender a discussão, sugerindo que a “lenda” pode ser verdadeira. A grande discussão em torno da existência, ou não, de uma papisa se dá por conta de uma falha na descrição das identidades dos papas naquele período da história.

Segundo informações do portal Live Science, há uma cópia do “Liber Pontificalis” (um livro de biografias de papas) que não inclui o papa Bento III, conforme apontou Michael Habicht, arqueólogo da Universidade Flinders, na Austrália, que investigou sepulturas de papas em Roma e encontrou símbolos que mostram que a mulher pode ter realmente existido.

“No começo, eu também acreditava que a história era mera ficção, mas quando fiz uma pesquisa mais extensa, surgiu a possibilidade de que havia mais por trás disso”, afirmou. O arqueólogo analisou moedas de prata conhecidas como deniers, que foram usadas na Europa Ocidental durante a Idade Média. “Elas são muito pequenas, talvez do tamanho de 1 centavo ou 25 centavos dos Estados Unidos”, comparou.

Esses “deniers” eram cunhados com o nome do imperador dos francos de um lado e o monograma do papa – um símbolo com as iniciais de uma pessoa – do outro lado. Em sua pesquisa, Habicht concentrou-se em moedas anteriormente atribuídas ao papa João VIII, que reinou de 872 a 882.

Embora alguns deniers possuíssem um monograma pertencente ao papa João VIII, o arqueólogo observou que os anteriores tinham um monograma diferente. “O monograma que pode ser atribuído a João VIII tem diferenças na colocação de letras e no design geral”, afirmou Habicht.

Essas outras moedas podem ter pertencido à papisa Joana, já que algumas fontes históricas sugerem que um papa João reinou de 856 a 858, como por exemplo, o cronista Conrad Botho, que relatou que um papa Johannes coroou Luís II da Itália como Sacro Imperador Romano em 856.

“O monograma foi o precursor da assinatura de hoje. Assim, provavelmente podemos até ter uma assinatura da papa Joana”, pontuou o pesquisador, que concluiu que a sequência que lista os papas em meados do século IX deveria incluir Leão IV de 846 a 853, seguido por Bento III de 853 a 855, Johannes Anglicus (a suposta papisa Joana) de 856 a 858 e Nicolau I de 858 a 867.

Habicht enfatiza que textos da literatura científica sugerem que as moedas estudadas não são falsas: “Quase não há mercado de colecionadores para essas moedas medievais. Os falsários não estão interessados ​​em fingi-las. Alguns anos atrás, algumas moedas de papas do século 9 foram oferecidas em um leilão em Nova York. A maioria não foi vendida e devolvida ao proprietário”, contextualizou.

“O debate sobre a ordenação feminina na igreja ainda está em andamento. Alguns vão abraçar meu estudo e encontrar outras evidências para os sacerdotes do gênero feminino nos primeiros séculos do cristianismo”, disse Habicht. “Outros rejeitarão completamente a ideia e farão um grande barulho na mídia contra tais alegações”, finalizou.

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