Apesar das ameaças, cristãos retornam à Nínive

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Há quatro anos, todos os cristãos foram forçados a deixar a planície de Nínive, por conta da violência do Estado Islâmico (EI). Agora eles estão retornando aos poucos, mas ainda são ameaçados pelo grupo extremista.

“Na noite entre os dias 6 e 7 de agosto de 2014, cento e vinte mil cristãos viram-se forçados a fugir de suas terras, na planície de Nínive, às margens do rio Tigre”, conta o padre Georges Jahola, um dos responsáveis pelas atividades de reconstrução em algumas aldeias cristãs daquela região.

Segundo ele, a fúria do EI devastou mais de 13 mil casas, das quais 1.233 foram totalmente destruídas. Paralelamente a esses dados, porém, há outros que marcam o renascimento da área.

Jahola esclarece que “8.815 famílias já retornaram, o que significa 44% do total (de 19.452) que fugiram por causa da invasão dos jihadistas”. Os dados são do Comitê de Reconstrução de Nínive, com a colaboração da Fundação de Direito Pontifício – AIS (Ajuda à Igreja que Sofre).

Momentos difíceis

“Naquela manhã, quando fomos atacados com morteiros, perdemos duas crianças e uma jovem. As pessoas começaram a fugir da cidade em massa. Foram momentos terríveis”, lembrou o padre ao se referir aos episódios ocorridos em 2014.

A devastação, segundo ele, foi muito além das casas destruídas. “Perdemos todo o patrimônio cultural e religioso que tínhamos nas igrejas e nos mosteiros, e muitos objetos historicamente significativos. Bibliotecas inteiras foram queimadas ou roubadas”, lamentou Jahola.

Ele ainda guarda na memória as cenas das pessoas fugindo. “Os jovens e aqueles que tinham algum meio de transporte conseguiram escapar, mas foi muito difícil para os idosos e as pessoas com necessidades especiais”, comenta.

Situação atual de Nínive

Desde 2017, o Comitê de Reconstrução de Nínive tem trabalhado para garantir que os cristãos possam retornar às suas terras. “Sem a ajuda de tantas organizações, seria impossível recomeçar a vida e dar esperança às pessoas”, disse ele.

O padre explica que “sem ter onde morar as famílias não podem voltar”, principalmente aquelas que tiveram suas casas queimadas, danificadas ou vandalizadas. Atualmente, os padres assumiram o papel de “engenheiros e mestres de obras” para ajudar os cristãos.

“Nós temos tudo documentado. Fizemos uma estimativa dos custos e apresentamos um plano para as organizações quando começamos a fase de reconstrução”, diz.

Embora ainda haja alguns ataques isolados, o padre conta que isso não reflete a situação geral do país. Em Mossul, por exemplo, que foi sitiada pelo EI e libertada em dezembro, pode-se circular livremente, “a cidade é segura”, segundo ele.

“Sobre as áreas cristãs da planície de Nínive, também podemos dizer que são seguras. É claro que a segurança no Iraque é relativa, mas no momento podemos nos dar por felizes com o que tivemos até agora”, disse com gratidão.

Uma questão de fé

O padre explica que a esperança dele e dos demais líderes religiosos está ligada à esperança de todo o Iraque. “Devemos nos comprometer com a nossa existência aqui, porque ainda há ameaças, não apenas do EI, mas também por parte daqueles que têm interesse de que os cristãos abandonem este país”, revela.

Jahola explica que há agendas políticas em toda a região do Oriente Médio. “Além disso, entre os países vizinhos, alguns são extremistas que hostilizam as minorias para usufruir de suas propriedades, suas terras e suas cidades”, conta.

Ao ser questionado sobre sua motivação em voltar para Nínive, o padre respondeu: “Estamos ligados a esta terra há milhares de anos, desde o início da era cristã. Nós sentimos a obrigação de dar o nosso testemunho aqui”, conclui. Com informações Vatican News

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