Marina Silva repete falácia do “Jesus refugiado” para atribuir “preconceito e ódio” a Bolsonaro

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A alegação de que Jesus era um refugiado é uma das imprecisões históricas que os adeptos da ideologia de esquerda mais se apegam. Há pouco mais de um mês, o papa Francisco usou esse argumento para comentar a data que visa conscientizar sobre as dificuldades de quem é realmente refugiado.

Na última segunda-feira, 30 de julho, um jornalista convidado do Roda Viva repetiu o mantra na entrevista de Jair Bolsonaro (PSL), e Marina Silva, adversária do entrevistado, pegou carona na falácia em suas redes sociais.

“Jesus Cristo foi um refugiado e nos ensinou sobre amor, respeito, humildade e compaixão, jamais sobre tortura, preconceito e ódio”, escreveu Marina Silva no Twitter.

Na sequência, Marina fez críticas às ilustrações usadas por Bolsonaro para explicar à audiência como ele fará para lidar com assuntos que não domina, como economia e saúde, caso seja eleito. “Alguém que pergunta no ‘posto Ipiranga’ questões como saúde e educação não merece o pit stop do voto de ninguém. #RodaViva”, publicou a candidata da Rede Sustentabilidade.

Marina Silva

@MarinaSilva

Alguém que pergunta no “posto Ipiranga” questões como saúde e educação não merece o pit stop do voto de ninguém.

Marina Silva

@MarinaSilva

Jesus Cristo foi um refugiado e nos ensinou sobre amor, respeito, humildade e compaixão, jamais sobre tortura, preconceito e ódio.

Refugiado?

Logo após seu nascimento, Jesus foi levado por José e Maria para o Egito, em fuga da ordem de execução que Herodes, o rei nomeado pelo Império Romano, havia dado sobre os meninos recém-nascidos. Após um breve período, a família retornou à terra natal, onde Jesus cresceu e exerceu seu ministério.

O pastor e mestre em teologia Franklin Ferreira comentou a afirmação do jornalista Bernardo MelloFranco durante a entrevista de Jair Bolsonaro ao Roda Viva, classificando a definição de Jesus como um refugiado com uma “pérola”.

“‘Aprendemos’ com o cheerleader da esquerda Bernardo MelloFranco, de O Globo, que Jesus Cristo foi… hã… um refugiado! Deixando de lado o óbvio anacronismo, será que o jornalista não sabia que a Judeia e o Egito eram parte do único Império Romano no fim do século I a.C.?”, questionou Ferreira.

Flavio Morgenstern, um dos pensadores conservadores mais proeminentes do contexto social brasileiro atual, também abordou a alegação sobre Jesus, em um artigo para o Senso Incomum.

“Bernardo Mello Franco, ao entrevistar Jair Bolsonaro, apenas jogou a palavra ‘refugiado’ sem uma definição adequada ao deputado, o único presidenciável a declarar ser favorável a uma política migratória mais estrita do que o modelo open borders forçado via entidades não-eleitas como a ONU. Como se Jesus fosse ‘refugiado’ no sentido moderno do termo”, pontuou.

“É a típica ‘lacrada’ da internet: uma frase de efeito, o mais das vezes desprovida de substância e com uma palavra forte e da moda, como ‘refugiado’, que nunca é questionada. Uma aparência de vitória. Bem mais próxima de Protágoras e seu ‘o homem era a medida de todas as coisas’ do que de Sócrates e suas longas perguntas sobre o que é um homem – ou um refugiado”, acrescentou.

A inconsistência da afirmação de que Jesus seria um refugiado fica ainda mais exposta conforme o artigo se aprofunda a respeito do contexto de seu nascimento: “Jesus nasceu durante uma viagem de seus pais para o recenseamento proposto por Herodes. Graças a isso, acabou nascendo em Belém, ao invés da terra natal de Maria, que era Nazaré. José, que era da linhagem de David de Belém, precisou realizar o censo naquele povoado. Seria de uma esquisitice atroz supor que ‘refugiados’ modernos são contados pelo censo exatamente de onde nascem”, recapitulou Morgenstern.

A fuga para o Egito da família de Jesus, narrada em Mateus 2:12-15, foi usada fora de contexto por Mello Franco, “porque o próprio Egito também fazia parte do Império Romano (um espanhol que fuja de seu país para a França dificilmente seria hoje chamado de ‘refugiado’)”, resumiu Morgenstern.

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