Igreja Episcopal debate se deve adotar gênero neutro para se referir a Deus

0
23

A Igreja Episcopal tem, entre seus sacerdotes, alguns defensores do discurso progressista que questiona a natureza de Deus e o motivo pelo qual nos referimos a Ele com substantivos masculinos, como Pai, Rei e Senhor, dentre outros. O debate, oriundo do movimento feminista contemporâneo, quer mudar o Livro de Oração Comum da denominação, para referir-se a Deus como um gênero neutro.

O Livro de Oração Comum é um texto usado em toda congregação episcopal e valorizado como um elemento central da identidade da denominação. Agora, os líderes da igreja estão discutindo se o texto deve ser revisado para que o conceito de Deus seja livre de gênero.

“Enquanto ‘homens’ e ‘Deus’ estiverem na mesma categoria, nosso trabalho em direção à equidade não será apenas incompleto. Eu sinceramente acho que isso não importa em alguns aspectos”, disse a reverenda Wil Gafney, professora da Bíblia Hebraica na Brite Divinity School no Texas.

Gafney é integrante do comitê que debateu o assunto e recomendou uma mudança na linguagem de gênero no livro de orações da Igreja Episcopal, e revelou ao jornal The Washington Post que, quando prega, às vezes muda as palavras do Livro de Oração Comum, mesmo que os sacerdotes episcopais não sejam formalmente autorizados a fazê-lo.

As trocas, segundo a reverenda, acontecem em termos como “Rei”, que ela substitui por “Governante”, ou “Criador”, por exemplo. Em alguns momentos, sua ousadia vai além, e troca “Ele” por “Ela”. Em outros, mantém a tradição, como no caso do “Pai Nosso”, a oração ensinada por Jesus. “Não vou mexer com isso”, disse Gafney.

Sem admitir que o debate é motivado por uma demanda social atual, que coloca o homem no centro de tudo, a reverenda diz que a sugestão por mudança visa dar maior liberdade aos reverendos, que como ela, mudam o texto do Livro de Oração Comum e não querer fazê-lo burlando regras.

Para isso, Gafney e seus pares dizem que a Igreja Episcopal – descendente da Igreja Anglicana, mas separada da matriz britãnica – precisa adaptar sua teologia a um conceito de Deus maior que o gênero.

O Comitê divulgou uma resolução pedindo uma grande revisão do Livro de Oração Comum, que foi revisado pela última vez em 1979. Em resposta, a Igreja diz que uma revisão completa levaria anos, o que significa que nenhuma mudança significativa seria feita até 2030.

Mudar para linguagem neutra em termos de gênero é a razão mais comumente mencionada para fazer a mudança, mas muitas partes interessadas na igreja querem outras revisões. Há defensores para adicionar linguagem sobre o dever de um cristão de conservar a Terra; para adicionar uma cerimônia litúrgica para celebrar a adoção de um novo nome por um transgênero; por acrescentar cerimônias de casamento entre pessoas do mesmo sexo à liturgia, já que a igreja realiza esses casamentos há anos; e para atualizar o calendário de santos para incluir figuras importantes nomeadas como santos após 1979.

Uma resolução alternativa diz que a igreja não deveria atualizar o Livro de Oração Comum agora, e deveria passar os próximos três anos estudando intensamente o livro existente, que tem suas raízes no primeiro livro de oração anglicano, publicado sob o mesmo título em 1549.

É o que o bispo de Chicago Jeffrey Lee defende. O Livro de Oração Comum, segundo ele, “realmente constitui a igreja Episcopal de maneiras significativas”. “Nossa teologia é o que oramos”, acrescenta Lee, membro do comitê que considerará as duas resoluções e apresentará uma delas – ou uma proposta revisada alternativa – aos órgãos legislativos maiores da convenção.

Outras denominações protestantes, incluindo a Igreja Metodista Unida e a Igreja Evangélica Luterana na América, debateram de forma semelhante o uso da linguagem de género para Deus, assim como o movimento judaico reformista, que atualizou sua linguagem de Deus para termos neutros em termos de gênero ao substituir seu livro de orações de 1975 por uma nova edição em 2007.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here