“Exús e pombagiras ficam soltos no carnaval”, confirma seguidor do candomblé

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No segundo dia de desfiles de carnaval, nesta terça-feira (28), a Estação Primeira de Mangueira encerrou a manhã, exaltou o sincretismo religioso e cantou para diferentes orixás e santos comuns às religiões afro-brasileiras, buscando o bicampeonato no grupo especial da competição.

A escola de samba transformou sua participação em uma procissão, que mostrou todas as misturas religiosas, com referências a santos e espíritos em sua apresentação.

Os integrantes da bateria da escola se vestiram de São Francisco de Assis, usando um corte de cabelo típico da ordem dos franciscanos.

Dessa vez um carro alegórico inteiramente dedicado a Iemanjá ganhou destaque no desfile, com a participação da cantora Beth Carvalho se apresentando na estrutura. A cantora Alcione também marcou sua participação na escola de samba, no carro que homenageava São João.

O próprio enredo da escola exaltava tanto sincretismo religioso, com o tema “Só com a ajuda do santo”.

Caos no carnaval

O fato de que o carnaval é um período espiritualmente diferenciado, “carregado” já não é mais novidade e até mesmo os adeptos de religiões de raiz africana reconhecem isso.

“Como sabemos na religião, os Exús e Pomba Giras (Povo de rua da Umbanda) ficam soltos nesse feriado festivo”, reconheceu o ‘filho de santo’ e seguidor do candomblé, Alberto Ebomi em uma postagem de seu blog.

De fato, o período de carnaval de 2017 teve uma grande quantidade de acidentes graves, não apenas nas estradas, mas também nos próprios desfiles das escolas de samba — fatos que nem mesmo a própria Rede Globo (detentora dos direitos sobre a transmissão do evento) conseguiu abafar, pois ocorreram ao vivo, durante as apresentações.

Após perder o controle, um carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti esmagou pessoas que estava nas laterais da pista do sambódromo, deixando pelo menos 20 com ferimentos graves, durante o desfile do domingo (26). Não houve registro de mortes.

Já na madrugada da última terça-feira (28), o teto do carro alegórico da escola Unidos da Tijuca desabou durante o desfile na Marquês de Sapucaí, deixando também cerca de 20 pessoas feridas — uma delas com suspeita de traumatismo craniano.

Também na última terça, uma mulher que dançava no alto de um carro alegórico da escola Mocidade acabou caindo, mas não teve ferimentos graves.

Acidente com carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti esmagou pessoas que estava nas laterais da pista do sambódromo, no RJ. (Foto: G1)

Aceitação entre os evangélicos

Falando sobre a aceitação cada vez maior que o carnaval tem conquistado entre os evangélicos, o pastor presbiteriano Solano Portela destacou que a Igreja tem sido bombardeada por argumentações que tentam ‘justificar’ a festividade como um fator meramente cultural.

“Nós somos bombardeados diariamente com algumas argumentações, que às vezes vêm de evangélicos. [O carnaval] é colocado como uma festa brasileira legítima. Nos dizem que, como evangélicos, não podemos ser carrancudos e ser contra toda esta demonstração de alegria que está ao nosso redor. Outros trazem o argumento da beleza das alegorias, dos carros. Mas recentemente, nós temos ouvido a seguinte argumentação: ‘nós temos que nos envolver no carnaval, porque é uma ocasião de testemunho”, destacou o pastor presbiteriano Solano Portela.

Portela destacou que o cristão precisa se manter distante do carnaval, justamente por uma questão de testemunho e manifestação do fruto de sua salvação.

“Na salvação que nós recebemos há uma transformação de vida e esta transformação de vida tem que ser refletida em uma contraste de caminhar, de proceder, em linhas demarcatórias sólidas, que identificam o caminhar da carne e o caminhar do Espírito”, explicou o pastor acrescentando a passagem de Gáltas 5:16-21, na qual o apóstolo Paulo descreve as obras da carne.

“Há algo expresso com intensidade no carnaval: onde a própria sociedade, sem Deus, reconhece que ‘liberou geral’… que as amarras que mantinham certo tipo de civilidade e comportamento, ou pelo menos de um certo recato durante os outros dias do ano, no momento do carnaval são retiradas. É como se não mais tivéssemos princípios a serem seguidos”, destacou.

O pastor alertou que o carnaval se caracteriza também pela intensidade como a prostituição se manifesta.

“O apóstolo Paulo cita a prostituição como uma das obras da carne e o que poderia se esperar de uma ‘festa da carne’?”, alertou.

Festa da Carne

Em um vídeo publicado no Facebook, a cantora Cristina Mel fez um ‘desabafo’ sobre o carnaval e explicou porque não permite que sua filha participe nem mesmo dos ‘bailes infantis’ de sua escola nesta época do ano.

Segundo a cantora, a festividade já tem suas origens no paganismo e não tem como entrar em harmonia com os princípios bíblicos.

“O carnaval não é uma festa para o povo de Deus, porque é a festa da carne. Ela começou 10 mil anos antes de Cristo, quando tinha colheitas e as pessoas se fantasiavam para espantar os demônios. Depois foi para o Egito, por causa da deusa Isis. Esta não é uma festa para a gente”, destacou.

“O que as pessoas fazem no carnaval? Elas saem em blocos, se fantasiam e, infelizmente, com a desculpa de se divertir, muita gente faz coisas erradas e tem prejuízos para a vida inteira”, alertou.

A cantora lembrou como as tragédias se intensificam neste período do ano e alertou para o modo como muitas pessoas agem sem consciência, respeito ao próximo e até mesmo sem amor próprio no carnaval.

“Quantas pessoas morrem de overdose? Outras bebem, dirigem e sofrem acidentes. Quantos jovens sofrem assaltos e são mortos? Quantas famílias são destruídas pela infidelidade? Será que vale a pena? Tantos adolescentes saindo em prol da diversão e quantas vezes se envolvem e perdem a inocência? Jovens engravidam antes do tempo, pessoas são mortas, assassinadas por vingança. É uma festa nq qual as pessoas perdem a noção”, disse.

“Falar de carnaval no Brasil é meio complicado, mas a gente tem a possibilidade de dizer ‘não’, de explicar para os nossos filhos que não é uma boa”, destacou.

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